Um olhar diferente sobre a revalidação de diploma

Um olhar diferente sobre a revalidação de diploma

A revalidação do diploma de curso superior é um assunto frequente na vida de quem se aventura fora de seu país. Muita gente acaba se reinventando e descobrindo grandes talentos escondidos. Mas tem a parcela daqueles que ainda sonham em exercer sua antiga profissão no novo país. Eu, por exemplo, depois de quatro anos de “States”, resolvi revalidar o meu diploma de médica.

Estou na vibe das provas desde que resolvi encarar o processo. No meu caso serão quatro provas extenuantes, três delas com duração de 8 horas e uma delas, de 16 horas. E foi nesse ritmo intenso de estudos e de “banco de questões” que cheguei a uma fatídica constatação: a próxima prova é sempre mais difícil.

Lembre-se, por um momento, de quando você estava no início de sua carreira (também conhecido com “pré-alfabetização”). Tenho certeza que você achou a coisa mais difícil do mundo escrever “Vavá viu a uva”. O mundo não era feito só de vogais? Como assim tantas letras? Consoantes …mas o quê que é isso, minha gente?

46357504 - young man standing on the edge of forested area raising his arms in celebration turned towards a bright sunlight waiting for him just outside the forest. concept of freedom, achievement and victory.

Mas conseguimos, meu amigo! Você terminou o seu “pré” todo orgulhoso e eu também terminei o meu. A gente aprendeu a ler e escrever. Parabéns pra nós!

Depois de três meses de férias descobrimos que aquilo era pouco, muito pouco. A gente não sabia era de nada… E na primeira série tivemos que aprender coisas difíceis demais! Cachorro, jacaré, periquito e papagaio. E foi assim, escrevendo um zoológico inteiro que a gente saiu do Ensino Fundamental. “Vavá viu a uva” era coisa de “prezinho”.

E ainda na nossa infância, já começamos a assimilar o conceito de que “a prova de amanhã é sempre mais difícil”. Sim, aprendemos que a próxima prova exigiria mais letras, mais números, mais associações, mais fosfato, mais sinapses e mais neurotransmissores.

Enfim, crescemos. O volume de conhecimento que acumulamos ao longo desses anos de estrada é inacreditável! Sei que neste momento tenho leitores estudantes, profissionais mestres, doutores e pós-doutores. Sem falsa modéstia, posso dizer que chegamos ao topo de conhecimento, se nos compararmos com a maioria das pessoas desse mundo. (Na verdade, mesmo, a gente não sabe é de nada, mais ainda assim sabe mais que muita gente.)

Os benditos “steps” do USMLE (United States Medical License Examination) também são assim. Na hora que você jura por A+B que está dominando bem aquele assunto, aparece uma questão do estilo “não-tenho-a-mínima-ideia-de-onde-saiu-uma-coisa-dessa”. E a gente percebe, humildemente que existem mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.

E lá vamos nós de volta para os livros, vídeos, aplicativos e anotações, curiosos em descobrir porque cargas d’água a resposta era X e não Y. E por que motivo fazemos isso com tanto empenho? Porque não queremos errar de novo. Simples assim. Sabemos que é importante aprender aquele conceito X, porque pesquisadores afirmam que se você errou da primeira vez, é muito provável que você erre da segunda.

Não se engane, esse texto não é para aqueles que estão na jornada da licença profissional americana. Se eu, que estou prestando a prova, e também você (que não tinha ideia do que era USMLE); se nós queremos tanto crescer em nossas jornadas profissionais, por que somos tão resistentes a crescer como seres humanos?

Crescer como pessoa – esse é o verdadeiro X da questão.

Queremos, muitas vezes, acertar a próxima questão da molécula ultra-super-mega-plus-master-top das galáxias, e na nossa vida real achamos que dá pra viver de “Vavá viu a uva”. Sim, essa frase marcou minha infância.

– “Mas, eu já mudei muito” – você diz. “Hoje sou muito melhor do que era ontem! ”
– “Sim, é verdade” – eu respondo. “Good job! Mas, você ainda é hoje um pouquinho pior do que amanhã. ”

Esse, na verdade, não é meu diálogo com você. Talvez seja diálogo de uma mãe com sua filha, de um professor com seu aluno, ou de uma mulher com seu marido. Mas, eu te desafio a ir em frente ao espelho e ter esse diálogo consigo mesmo.

É preciso crescer porque as dificuldades de amanhã serão maiores. E se a gente não melhorar todo dia, a gente sai mal na prova. Pode acreditar! Nós já sabemos disso desde o Ensino Fundamental.

Não dá pra tirar A+ em todas as provas da vida, eu sei. A gente erra, repete a prova, e muitas vezes, acaba errando de novo a mesma questão amanhã. Depois, a gente parte pra próxima. “E a próxima a gente acerta?” “Às vezes sim, às vezes não. ”

E por que a gente não desiste, afinal?

Porque temos um alvo, porque temos um sonho. E em nossa vida pessoal e profissional, a regra é a mesma: crescer, evoluir, melhorar até chegar na “nota” desejada. Não, nunca chegaremos ao score perfeito, mas chegaremos no máximo score possível.

Se vamos passar nas nossas provas, eu não posso garantir. Mas, pesquisadores recentemente descobriram que agindo assim seremos todos mais felizes, e faremos muita gente à nossa volta mais feliz também.

Não é esse, em última instância, o sonho de todos nós?

 

 

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