O sintoma físico como mensageiro do conflito emocional

O Corpo fala! Sim, ele fala desde a forma que nos sentamos até da forma que respiramos, vivemos, somos saudáveis, adoecemos, mas assim como a “fala”, o corpo usa linguagem simbólica para comunicar-se com e pelo indivíduo, já que faz parte dele. Não falaremos de linguagem corporal nem linguagem vocal, falaremos sobre a linguagem simbólica ao qual nosso corpo codifica e nos envia mensagem.

O propósito deste texto é promover a reflexão sobre aspectos emocionais que podem desencadear sintomas físicos, chamados aqui de psicossomáticos sem ignorar fatores ambientais e hereditários como contribuintes para a formação da dinâmica da manifestação do sintoma psicossomático. Psico deriva de atividade mental e somatico de corpo. Psicossomática é segundo o que Ekstermam conceituou em 1992 um estudo das relações entre mente e corpo que propôe explicar a patologia somática.

Desde que o mundo é mundo os homens tentam entender o processo de adoecer do ser humano. Castigo dos Deuses, Vontade deles, influência dos astros, desequilíbrio de elementos no corpo, tudo já foi cogitado, porém os primeiros registros de estudos sobre a influência psicológica-emocional do indivíduo no seu processo de adoecer foi registrado por Hipócrates na grécia antiga. Hipócrates já acreditava que o indivíduo saudável é aquele que conseguiu atingir o equilíbrio entre todas as intâncias do seu ser e também afirmava que seja o que for que aconteça com a mente isto refletirá no corpo. O “nó na garganta” quando sentimos vontade dizer algo e não dissemos, o peito “vazio” após uma decepção amorosa ou em luto, o rosto vermelho ao sentir vergonha são reações de alarme comuns à estímulos que nosso corpo entendeu como ameaçadores. É importante frizar que embora o ser humano tenha herdado de seus antepassados uma linguagem coletiva de expressão como as citadas há pouco, há a linguagem particular que só há de ser decifrada analisando sua história individual, a forma que você “significou”suas experiências e o que será abordado neste texto são aspectos gerais mais comuns encontradas nos estudos e práticas clínicas a respeito do tema.

Como o sistema emocional reflete  no físico

Nosso sistema emocional busca o equilíbrio e à conservação do nosso ser, desta forma tenta nos proteger de doenças, disturbios e tudo que possa afetar nosso equilíbrio e sobrevivência. Tudo começa com nossos pensamentos. Quando um agente estressor se apresenta (seja ele uma situação, uma pessoa, um momento complicado na vida) e toca nosso sistema “pensamento-sentimento” há uma reação de alarme que vem como estresse ou ansiedade e aciona os sistemas de defesa ( biológico e/ou psíquico). O indivíduo percebeu que algo rompeu seu equilíbrio e dependendo de sua vulnerabilidade poderá aparecer um sintoma psíquico e/ou corporal. É basicamente o modelo de Estímulo- Resposta em que cada pensamento dispara uma emoção (sentimento) que prepara seu corpo para uma ação. Se o indivíduo conseguiu lidar com o agente estressor, se defendeu e voltou ao seu estado original elaborando o conflito, o círculo foi fechado e o organismo pronto para novas batalhas, mas caso a exposição constante ao estímulo agressor seja muito forte ou frequente e o indivíduo apresente dificuldades em lidar com isto o sintoma vem para comunicar algo pode ocorrer uma somatização, ou seja, uma resposta física ao conteúdo emocional. Quando somatizamos, temos a consciência de que forçamos além da conta uma emoção.

Cada órgão têm um significado simbólico e o sintoma vêm para nos alertar sobre algo que precisamos ser clarificados sobre. Vejam que estou usando a palavra “sintoma” ao invés da doença, pois nem sempre o sintoma estará relacionado diretamente com a doença já instaurada. Pense nas funções de sua coluna: Estaria seu problema de coluna te alertando sobre problemas em sua “estrutura” emocional ou familiar? Pense nas funções de seu estômago: Estaria sua gastrite te alertando sobre fatos que você não consegue “digerir”? A bronquite do seu filho dizendo algo sobre estar se sentindo sufocado? A febre inexplicada dizendo que algo está “esquentando” dentro de ti? A análise é muito complexa, pois além de cada órgão falar sobre um tipo específico de conflito, o que acontece nele detalha um pouco mais sobre o que ele quer expressar.

Alguns exemplos comumente encontrados em experiências e estudos clínicos do paciente somático:
Sistema digestório – Responsável pelo processamento de emoções e fatos- nos falam de nossas dificuldades de engolir, digerir, assimilar tudo aquilo que ocorre em nossos relacionamentos. Assim como cada alimento, as emoções precisam ser processadas e quando algo “não desce” aparece o sintoma neste sistema. A gastrite pode ser quando a atividade mental envolvida num fato é maior que ele em si e a úlcera pode acontecer quando há uma agressividade sufocada ou em pessoas que não se permitem errar.
Intestino – Órgão de controle, do que absorvemos e do que expelimos. Fala de dificuldades em deixas os acontecimentos seguirem seu fluxo natual e quando há dores ou males, nos clarifica sobre alguém com necessidade de julgamento de pessoas e fatos. Quando preso: Necessidade de expressar emoções contidas, recusa em abandonar, em romper, medo de perder o controle e necessidade de controlar o ambiente. Quando solto a pessoa pode estar se desapegando rapidamente de algo que não elaborou ou absorveu. A hemorróida acontece quando a pessoa está presa ao passado ou sob pressão extrema à ponto de “estourar”.

Sistema respiratório – Forma de se relacionar com o mundo externo e problemas relacionados à respiração podem alertar sobre dificuldade de se proteger ( emocionalmente) do mundo externo. Problemas neste órgão podem estar relacionados a ressentimentos, mágoas, necessidade de perdão. Estes mesmos componentes foram vistos em pessoas com problemas na vesícula. Tosse Cheia: diz respeito o que quero por para fora, o que quero falar e não consigo. Os alérgicos em crise estão em alarme e sentindo que algo pode estar ameaçando sua estabilidade emocional.
Câncer, diabete, hipertensão, problemas no coração e pele, osteoporose, hipo e hiperglicemia entre outros problemas de saúde podem ser entendidos e desfeitos se tocada à dinâmica de construção psicossomática de cada componente que compõe as doenças. Cada parte de nosso corpo em cada sistema têm uma função e se manifestará por via somática dependendo de como o estado emocional reagirá diante dos fatos ocorridos em nossas vidas. Sua gastrite vai sarar se você continuar a remoer as coisas? Absolutamente não! Você precisa fazer a sua parte e a partir da mudança da sua atitude haverá mudança em sua resposta corporal e saúde. Lembra onde o processo de “agir” começa? No pensamento! É ali que deve começar o trabalho de cura e prevenção.

A conclusão que gostaria de dar a este texto é a introdução do pensamento de que se consigo entender e identificar o problema do começo e em sua essência posso resolvê-lo e aprender com ele. Meu objetivo não é diante de uma dor fazer vocês pensarem: – É só emocional! e sim pensarem: – Tenho um problema para resolver, preciso pensar na minha vida! Pense nos sintomas como um mensageiro: Ele vem para trazer a notícia desagradável e mostrar que você precisa agir sobre um determinado aspecto de sua vida, mas vem porquê confia na sua capacidade de entender e resolver, pois a capacidade de simbolizar é uma capacidade de mentes preservadas. Na vida emocional não há cantos para varrermos a sujeira e nem tapetes para escondê-la, a sujeira são as experiências negativas e sentimentos ruins que experimentamos e eles precisam ser enfrentados e resolvidos porquê aquilo que foi deixado de “lado” ainda está dentro de nós e dará um jeito de se comunicar conosco. Lembre-se que nossas experiências ficam guardadas no inconsciente e que ele é atemporal,ou seja, ele não sabe se o fato ocorreu ontem ou há 10 anos. Assim, as coisas continuam dentro de nós como se fosse ontem e os conflitos só perdem a força na medida que o digerimos, o elaboramos e o ciclo for fechado. Às vezes pelo perdão, às vezes pelo entendimento ou pelo aprendizado. Tente fazer uma reflexão mais profunda e detalhada de sua vida e se necessário procure um profissional para te ajudar a digerir, aceitar, filtrar e assim se libertar.

Por Patricia Dutra

Graduada em Psicologia, Pós graduada em Gestão de pessoas e Marketing, Professional Coach e DISC Certification (PCC© e PDC©) , pela Soc. Latino Amer. Coaching, Coach e Coach reconhecida pela ICI – International Association of Coaching Institutes.

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