“O câncer me deu de presente o sabor da vida”

331054_2086940929527_1102043013_o-224x300Ela descobriu um câncer de mama aos 25 anos, mas não deixou que a doença abalasse seus planos ou apagasse o brilho de sua juventude. Com apoio da família e dos amigos, a brasileira Maisa Aguiar incluiu a dura rotina de tratamento como mais uma tarefa do seu dia a dia. E assim, concluiu o curso de MBA que fazia na Flórida e venceu a doença. Agora, ela conta sua história com o intuito de arrecadar fundos para organizações de pesquisas para a cura do câncer de mama, como a Fundação Susan G. Komen. Nessa entrevista exclusiva para a Revista Brasilianas, Maisa conta com detalhes os momentos de tristeza e superação ao longo dessa batalha contra o câncer.

Revista Brasilianas: Maisa, o câncer de mama aos 25 anos não é comum, assim como, infelizmente, não é comum as mulheres no início da fase adulta fazerem o auto-exame ou frequentar um ginecologista com frequência. Por isso, gostaria que você nos contasse como aconteceu o diagnóstico.
Maisa Aguiar: Na verdade, senti um carocinho no lado direito do peito enquanto tomava banho e decidi informar minha ginecologista na época. Ela me orientou continuar observando por um tempo. Passou um mês e o carocinho continuava me incomodando, então fui a outro médico em buscar de um diagnóstico mais preciso. Acho que não necessariamente eu estava fazendo o autoexame quando encontrei o caroço, mas sempre fui muito atenta a sinais no meu corpo. Se algo não esta “como normal” procuro sempre a opinião médica. Hoje em dia, o autoexame faz parte da minha rotina assim como escovar os dentes, tomar banho, estou sempre prestando atenção ao meu corpo.

Revista Brasilianas: Sabemos que você nunca desanimou durante o tratamento e tentou a todo custo não deixar que a rotina hospitalar atrapalhasse suas aulas no MBA. De onde veio essa força? Você criou uma rotina de estudos quando começou o tratamento? Como se deu esse ajuste na sua vida?

Maisa Aguiar: O MBA foi o meu salva-vidas. Era uma coisa positiva naquela época da minha vida e eu procurei me agarrar nessa oportunidade a todo custo. No começo foi difícil, a quimioterapia me fazia esquecer muita coisa e eu ficava cansada facilmente. Mas eu não fiz nada além do que eu podia. Eu sabia meu limite. Se precisava descansar, fazia. Se precisava de ajuda pra entender algo, meus colegas me ajudavam, se precisava de mais tempo para uma prova, falava com meus professores. Não tive vergonha ou medo de tentar e isso me ajudou a entender que as minhas limitações físicas não necessariamente ditariam o meu sucesso. Foi a melhor coisa que eu fiz, me concentrei no objetivo de me formar e isso ajudou a tirar o peso do tratamento que fica rondando a sua rotina.

11705664_10153066246301158_3800294272505175364_oRevista Brasilianas: O que mudou na vida da Maisa depois do câncer? Que mulher surge de toda essa experiência?
Maisa Aguiar: A vida tem uma intensidade completamente diferente. Agora, tudo que eu sinto, eu sinto 100%. Tudo que passei me serviu como um “freio” e uma análise da minha vida. Parei de reclamar das coisas pequenas, sabe? Agora dou valor às poucas amizades, mas aquelas que importam. Minha família é a coisa mais importante para mim, devo tudo a eles, principalmente à minha mãe, que se doou completamente durante o meu tratamento. Procuro espalhar muita felicidade e amor a todos que estão em minha volta. Ainda há muito o que aprender, claro. Mas eu tento passar essa vontade de viver ao máximo por onde quer que eu vá. O câncer me deu de presente o sabor da vida.

Revista Brasilianas: Houston é referência mundial no tratamento de câncer e por isso é destino de muitos pacientes brasileiros que vem para cá cheios de esperança mas também cheios de dúvidas e medos. O que é importante destacar da rotina hospitalar americana? O que essas pessoas podem esperar do tratamento aqui?
Maisa Aguiar: O tratamento é meticuloso. Eles analisam tudo em você, para que o diagnóstico seja o mais completo possível. Por causa disso, no começo a rotina de exames e consultas é muito cansativa, mas o plano de tratamento é claro e o paciente terá sempre o suporte da equipe médica designada para o seu caso. Muitas vezes senti que eu era apenas “mais um paciente” no meio dessa máquina gigantesca de tratamento para todo tipo de câncer. O paciente chega ao hospital, faz exame de sangue, espera a quimioterapia, termina, sai e vai embora. Contudo, cabe ao paciente (e sua família) se envolver (ou não) no tratamento. Apesar de ser tudo feito com muita eficiência e agilidade, se o paciente quiser, o médico sempre terá tempo para conversar, tirar duvidas e direcionar recursos. Também existe acompanhamento psicológico, assistentes sociais, equipes religiosas, voluntários dispostos a ajudar sempre. E não é difícil achar alguém que fale português.

Revista Brasilianas: Você foi a pessoa física que mais arrecadou na última Susan G. Komen Race, como conseguiu esse feito?
Maisa Aguiar: Contei com a ajuda de tanta gente, essa vitória não foi só minha! Parte do meu projeto para arrecadar dinheiro se deu contando minha história para muitas pessoas. Nesse caminho, conheci histórias de amigos de amigos, familiares, colegas de trabalhos e outras pessoas que tinham alguém fazendo tratamento, sobrevivente, ou infelizmente vítima do câncer de mama. Quando as pessoas se identificam com uma causa, elas ajudam de coração aberto. Também contei com a ajuda de alguns alunos da escola que fiz meu MBA – eles me ajudaram a fazer um torneio de golfe beneficente, foi incrível a participação!

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Revista Brasilianas: Hoje podemos dizer que você superou o câncer e para poder nos dar esse relato vitorioso foi preciso passar por momentos difíceis. Gostaria que você deixasse uma mensagem para mulheres que estão em tratamento ou que acabaram de receber o diagnóstico de câncer de mama.

Maisa Aguiar: O primeiro contato com a palavra câncer assusta porque é quando percebemos que não temos o completo controle de nossas vidas. Por isso, entendo, e acho normal, a tristeza ou decepção (Por que eu?) logo no começo. Mas chega uma hora que a tristeza não vai te ajudar em nada e você precisa ser forte. A doença não vai desaparecer de um dia para noite e o tratamento precisa ser encarado com seriedade. É importante seguir a orientação do seu médico, ter uma alimentação saudável, beber bastante água e procurar se exercitar quando puder. Não desistir nunca! Chorar e ter momentos de fraqueza são normais, mas não deixe de lutar! Procure ser forte e procure ajudar as pessoas a sua volta, agradecendo sempre pelo suporte. Faça a sua parte e a vida fará o resto.

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