Jovens empreendedoras realizaram o sonho e abriram seu próprio negócio

Paixão pelo Campo

Inspiradas pelos pais, jovens empreendedoras realizaram o sonho e abriram seu próprio negócio de derivados da cana-de-açúcar

Mulheres, jovens e já empreendedoras, as irmãs Joelma dos Santos Rocha, 23 anos, e Amarílis Souza Rocha, 20 anos, realizaram recentemente o sonho de abrir seu próprio negócio. A “Douradinha Supernatural”, agroindústria de derivados da cana-de-açúcar, começou a ser planejada por elas em 2012, e há um ano o projeto foi concretizado.

“Nossos pais foram a nossa maior inspiração. Eles nos ensinaram a amar o que fazemos e a vida no campo”, diz as irmãs.

A propriedade da família, o Sítio Rocha como é chamado, fica na cidade de Tarumirim, no Vale do Rio Doce e é considerado o retrato da Agricultura Familiar na região. Em média, 2 mil kg de açúcar mascavo, e 3 mil unidades de rapadura são produzidos no local, em uma safra de 6 meses. Agora, com uma estrutura de maquinários maior, a pretensão é atingir a meta de 500kg de açúcar por mês, aumentando também a produção de rapadura. “Já abastecemos os armazéns da cidade e também fazemos venda direta para o consumidor. Com o aumento da produção, a intenção é atender outras regiões nas proximidades do município”, observa Joelma.

Wesley Rodrigues /  Hoje em Dia
Foto: Wesley Rodrigues / Hoje em Dia

Na propriedade, três hectares eram destinados para a plantação de cana-de-açúcar. Com a realização do projeto, elas investiram na expansão do canavial para o aumento da produção. Segundo Joelma, o processo de colheita da cana começa no mês de abril e vai até a outubro, mas agora a intenção é produzir o ano inteiro. “Nos intervalos das chuvas conseguimos fazer isso”, afirma.

As empreendedoras investiram o valor de R$59 mil para abrir a agroindústria e se dizem otimista com o retorno do investimento. De acordo com elas, na região são poucos investidores e a procura pelo açúcar é muito grande.” Com certeza o lucro é garantido. O açúcar mascavo é mais saudável e as pessoas hoje estão buscando qualidade de vida”, relatam. O açúcar é vendido por 5 o kg e a rapadura, a R$ 4,50 a unidade.

Feira AgriMinas

A realização não para por aí. Joelma e Amarílis concretizaram outro sonho que foi participar da 10ª Feira de Agricultura Familiar (AgriMinas), realiza em Belo Horizonte na semana passada. Para a feira, elas produziram uma média de 1.300 kg de mercadoria que incluiu rapadura, rapadura granulada, doce de mamão com coco e o famoso pé de moleque. Mais de 550 kg de açúcar também abasteceram o stand. “Tivemos um lucro significativo de R$ 4 mil nos três dias de feira. Ficamos satisfeitas com o resultado, mas o que nos deixou mais feliz foi poder participar e mostrar o nosso trabalho”, diz Amarílis com satisfação.

Além de empreendedora, Joelma é coordenadora regional da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fataemg). Ela participa de vários encontros regionais com a juventude rural, que tem como intuito passar para os jovens a educação no campo e articular os processos de políticas públicas voltado para o setor.” Tenho muito orgulho de mostrar minha experiência como jovem Produtora Rural. Queremos mostrar para a juventude que é possível levar a experiência para o campo e permanecer nele”, conta orgulhosa.

De acordo com Alaíde Lúcia Bagetto Moraes, agricultora familiar e Coordenadora Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais da Fataemg, as mulheres tem ganhado cada vez mais visibilidade nos trabalhos rurais e assumindo que são trabalhadoras do campo. Para ela a feira é sempre muito positiva.

“Nos últimos anos, 50% que marcaram presença na feira eram mulheres, vencendo desafios e mostrando sua capacidade de produzir e agregar valor” afirma.

Incentivo

Criadas com total apego a terra pelos seus pais, Joel Rocha, 46 anos, e Marli Rocha, 41 anos, as jovens procuraram seguir os seus passos. Há 12 anos, eles começaram com um engenho para produção de rapadura e açúcar mascavo somente para consumo próprio, pensando na saúde e na qualidade de vida. No mesmo ano, moradores da região começaram a procurar os produtos para compra e a produção acabou virando fonte de renda para a família. Joelma conta com orgulho que a família sempre viveu da agricultura familiar. O sustento da família sempre veio da terra. Os dez hectares na propriedade são bem aproveitados, milho feijão, arroz, banana, coco, amendoim também são cultivados. Já chegaram a colher 600 kg de amendoim que se transforma em uma deliciosa rapadura. “Nossa família é muito unida e queremos permanecer juntos fazendo o nosso trabalho no campo”, conta as irmãs.

Com a mão na massa

As jovens não ficam para trás se tratando do processo de produção. Mesmo sendo um trabalho pesado, elas fazem questão de participar do passo a passo. A cana-de-açúcar é transformada em rapadura ou em açúcar mascavo em um enorme tacho. Um pequeno engenho auxilia na moagem da cana. Todo o caldo vai para o tacho até ferver e dar a liga certa para um desses produtos. A produção começa em junho, época em que a cana está no ponto certo de doce. Os trabalhos no processo de produção duram em média 3 horas e meia, entre mexer e chegar ao ponto certo de cada produto. Joelma conta que o sucesso do açúcar em sair bem “Douradinho”, motivo pelo qual escolheram deram o nome a agroindústria, se deve ao fato de todo esse cuidado na produção. O adubo colocado na terra é orgânico, feito com a própria folha da cana. “Nós temos todo esse cuidado para obtermos um resultado com muita qualidade em nossos produtos. Apesar de ser um trabalho pesado, o que vale é o amor pelo que fazemos”, conta.

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