Eleição americana interessa a cidade mais americana do Brasil

Governador Valadares, em Minas Gerais, que tem fama internacional por causa da emigração de valadarenses para os Estados Unidos, torce pela vitória de Hillary Clinton

O magnata e multimilionário Donald Trump e a ex-primeira dama dos Estados Unidos da América, Hilary Clinton, estão sendo postos à prova dos estadunidenses e todos que possuem cidadania americana na eleição presidencial mais esperada do planeta. Quem vencerá? A votação já começou e se encerra na terça-feira, dia 8 de novembro, movimentando todos os estados e cidades dos Estados Unidos, inclusive Governador Valadares, cujos cidadãos e cidadãs moram no estado brasileiro chamado Minas Gerais e em vários outros estados da América.

E os valadarenses já escolheram a chapa Hillary-Kayne, para presidente e vice. Donald Trump é “persona non grata” entre os emigrantes valadarenses que moram nos Estados Unidos, entre os parentes dos emigrantes que moram em Governador Valadares, principalmente entre aqueles que já planejam migrar para a América, em busca de trabalho. E porque Trump preocupa tanto? A resposta é simples: ele já mandou o sapato nos emigrantes. Disse que, caso seja eleito, logo no primeiro dia na Casa Branca, vai expulsar os “emigrantes criminosos” e centenas de milhares que foram postos em liberdade sob a administração Obama-Clinton. E como um candidato a prefeito de cidade do interior do Brasil, prometeu uma grande obra: construir um grande muro na fronteira com o México, além de reforçar à caça aos os emigrantes ilegais.

Declarações tão contundentes preocuparam os valadarenses. E provocou reações curiosas. “Meu primo vai embora pra América antes do dia 8, porque caso o Trump vença, ele será barrado”, disse Sidney Oliveira, morador do Córrego dos Bernardos, zona rural de Governador Valadares. Embora não acredite na vitória de Trump, Sidney Oliveira diz que a preocupação de seu primo procede.

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Foto: Assessoria de Comunicação da Univale

Quem também considera procedente a preocupação dos valadarenses com Donald Trump é a professora Dra Sueli Siqueira, da Universidade Vale do Rio Doce, de Governador Valadares, e que desenvolve estudos nas áreas da Sociologia Urbana com ênfase em Estudo Sobre Migração Internacional. As declarações de Trump são ácidas e ele deixa bem claro sua aversão aos emigrantes. Mas para Sueli Siqueira, a zona de conforto para os emigrantes com uma vitória de Hillary inexiste. “O governo americano sempre será rigoroso com os emigrantes e uma vitória de Hillary Clinton não significa que todos terão portas abertas na América”. A diferença, segundo Sueli Siqueira é apenas o tom do discurso.

Nos Estados Unidos, as declarações de Trump também incomodam os emigrantes valadarenses, que votarão em massa na candidata democrata Hillary Clinton. Mariana Pereira, recém-formada em Jornalismo, pela Univale, de Governador Valadares, migrou para os Estados Unidos há poucos meses e trabalha como repórter do Tribuna Newspaper, em Danbury, MA, e tem colhido diversas opiniões dos emigrantes, todas contrárias às ideias do milhardário Trump. “O emigrante que tem situação legal e pode votar, votará em Hillary, certamente”. Mariana diz que Trump não morre de amores pelos emigrantes já faz muito tempo, e em seus negócios, usou mão de obra de emigrantes e deu o calote em vários deles. Ponto pra Hillary Clinton, ou melhor, mais votos pra Hillary Clinton!

Novo cenário

A sucessão americana e os debates acerca do controle de entrada de estrangeiros nos Estados Unidos entraram na ordem do dia em Governador Valadares por causa da crise econômica no Brasil. Sueli Siqueira diz que já detectou uma movimentação nova na zona rural de Governador Valadares. São emigrantes que trabalharam nos Estados Unidos em anos passados e agora ensaiam o regresso.

 Foto: Assessoria de Comunicação da Univale
Foto: Assessoria de Comunicação da Univale

Esta movimentação será objeto de estudo na universidade, pois juntos com os emigrantes de outrora se juntarão novos emigrantes, gente jovem, que sonha em fazer dinheiro rápido, trabalhando nos Estados Unidos. “Eu tenho visto muitos jovens da minha comunidade e de outras da zona rural planejando ir para os Estados Unidos”, comenta Sidney Oliveira, que vê de forma natural esse interesse pelo trabalho nos Estados Unidos. “Lá, paga-se de 20 a 25 dólares por hora, e no fim do mês isso significa um ótimo salário, coisa que não se paga aqui no Brasil”, disse. Então, ganhar a vida na América é uma alternativa mais que tentadora.

O movimento migratório que deu fama nacional e internacional a Governador Valadares, como a cidade mais “americana” do Brasil, começou nos anos 1960, quando os primeiros valadarenses, filhos de famílias da classe média foram para os Estados Unidos. Ao regressar contaram as maravilhas da Terra do Tio Sam e o encantamento foi repassado aos que ficaram nos relatos de experiências bem-sucedidas. Isso abriu caminho para um aumento no movimento migratório e ampliou a rede de boas referências do jeito de ser e de viver dos americanos.

Na década 1980, a chamada “década perdida” liquidou as ofertas de emprego no Brasil. Os valadarenses foram em massa para a América para trabalhar. Os canais de comunicação estabelecidos entre os valadarenses que migraram e os que ficaram, acabaram criando a “cultura de emigração”, que segundo a professora Sueli Siqueira tem traços diversos. Uns estão no imaginário popular e vendem um sonho dourado na América, lugar com muitas oportunidades de trabalho, onde se ganha em dólar e leva vida de conforto. Outros são palpáveis, como o monumento ao emigrante, fincado na Praça do GV Shopping, cuja inscrição é motivadora: “A homenagem ao emigrante faz justiça ao trabalho desses heróis, pela contribuição ao desenvolvimento de Governador Valadares”. A placa, datada de 4 de julho 2006, também celebra uma data da cidade: o Dia do Emigrante. Trump não tá nem aí para a cultura de emigração dos valadarenses. Hillary também não, mas vai ganhar o voto dos emigrantes por não ter mandado o sapato nessa gente trabalhadora. Pelo menos por enquanto.

 

 

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