Deixa eu te contar … com Sonia Justl Ellis

Creio que todo brasileiro é um ser inventivo nato. Sabemos dar um jeito para solucionar
qualquer problema, seja usar uma lata de refrigerante como bola de futebol, usar uma
cadeira como tambor para criar uma batucada ou vender esculturas de sabonetes na
escolinha para ganhar uma grana. Seja o que for, quando o brasileiro vê um problema
que quer resolver, a engrenagem da cuca começa a rodar.

E assim foi minha história. Com dois aninhos, minha filha, que antes falava português
na mesma proporção em que falava o inglês, começou o preschool aqui nos Estados
Unidos. Aos poucos, percebi palavrinhas durante nossas conversas sendo trocadas
pelo inglês. O fato do papai só falar com ela em inglês também não estava ajudando a
situação. O cúmulo foi o dia em que sentei para ler um livrinho brasileiro, e ela disse,
“No, mommy! No words backwards! Only forwards!” Ou seja, para ela o português virou
a língua ao contrário, ao avesso, de frente para trás, enquanto o inglês era a linguagem
normal. Meu coração partiu.

Queria resolver isso e rápido. Analisei um pouco o problema: Os amiguinhos quase
todos só falam em inglês. Durante o dia ela é exposta mais ao inglês que ao português,
e a cabecinha dela está achando o português mais difícil que o inglês.  Falar em
português está ficando cada dia menos divertido. Puxa…que pena que não existe
um storytime em português nas bibliotecas aqui como eles têm em espanhol. Esta seria
a solução ideal.

Epa. Eureka!

Por que não eu?  Não, nunca fiz uma hora da historinha antes, mas sou atriz
profissional e sei que conseguiria organizar uma apresentação divertida para crianças.
Lembrei que por acaso, há pouco tempo, enquanto malhava na minha academia,
conheci uma membra do conselho da biblioteca de minha cidade (Arlington, perto de
Dallas).  Escrevi um simples email me voluntariando.  Agora faz três meses que nos
reunimos mensalmente, com mais ou menos 25 crianças presentes.  Conhecemos
novos amiguinhos, lemos, cantamos, conversamos e nos divertimos em português.
Nunca me esquecerei da expressão no rosto da minha filha quando ela percebeu que
não era a única criança do mundo que sabia cantar a música Caranguejo não é
peixe.  Ainda temos bastante trabalho a frente, mas este esforço vale a pena.

E você?  O que está fazendo para preservar esta língua de herança?  Mesmo se ainda
não tiver idéias, não desista.  Todo brasileiro sabe dar um jeitinho…

Sonia é mãe, esposa e atriz e mora nos Estados Unidos desde 2001.  Formada em
teatro e com mais de quinze anos de experiência com teatro infantil, seus 2 filhos
bilingues, Annabelle e Oliver, a inspiraram para criar uma Hora da Historinha em
português na cidade de Arlington, perto de Dallas.  Ela adora viajar, dançar e ler, e se
pudesse, comeria pão de queijo e brigadeiro em todas suas refeições.

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