Deixa eu te contar … com Erika Berbert

Uma garotinha nasceu na Suiça, em cidade francófana e aos dois anos se mudou para o Paraguai. Lá morou por dois anos e foi para o Brasil. Mais um tempo se passou e ela se muda para os Estados Unidos, ainda sem falar uma palavra em inglês. Mas que língua ela falava mesmo?  Parece uma grande confusão, mas essa é a história da minha filha Lara que em oito anos morou em quatro países diferentes. Lara é a mais velha e eu ainda poderia contar a história do Lucas e dos gêmeos Ana e Davi.

Como muitas outras famílias não americanas que moram em Houston, a gente tem o desafio de se sentir em casa tão longe do nosso lugar de origem, do nosso Brasil. Acredito que o desafio é maior ainda quando temos filhos; no meu caso, quatro filhos. Como fazer com que eles se identifiquem como brasileiros e se orgulhem do país que eles estão fisicamente distantes?

O nosso lar é verde e amarelo, simples assim. Acredito que as pessoas, quando estão morando fora, devem se envolver com a comunidade local, explorar os parques, a cidade, viver de verdade a experiência do lugar que estão morando temporariamente. Mas da porta para dentro, a gente valoriza cada detalhe da nossa brasilidade. A comida do dia-a-dia tem arroz e feijão; no lanche, pão de queijo e a sobremesa predileta vocês já podem imaginar, brigadeiro. Português é o idioma que a gente fala, ouve nas músicas e até na televisão, quando possível. As prateleiras são recheadas de literatura infantil: tem Maurício de Sousa, tem Monteiro Lobato e muito mais.

Penso que falar do Brasil e falar em português é um dos maiores presentes que posso dar aos meus filhos. Apesar de terem nascido fora, são os quatro brasileiros natos porque nasceram quando o meu marido estava a serviço do Brasil no exterior. Não é apenas um detalhe da lei, é um direito do qual temos muito orgulho. E meu desejo é que, independentemente de onde venham a morar ou idiomas que saberão dominar, levem o Brasil no coração e falem português como sua primeira e mais bonita língua.

Erika é mãe de um quarteto sapeca, é casada com o diplomata Cristiano Berbert, escreve em um blog sobre maternidade e nutrição infantil,  (www.menudobebe.com.br) e trabalha como assistente de aprendizagem para crianças com deficiência.

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