Crise faz com que mais brasileiros se arrisquem nos EUA

É comum de se ver brasileiros chegando ao sul da Flórida constantemente, mas, nos últimos meses, empresários e advogados têm percebido um número maior de pessoas à procura de emprego e se estabelecer na região.

“Tenho visto brasileiros de todo o tipo chegando de todo o lado”, disse a advogada de imigração Renata Castro. “Mas parece que nos últimos seis meses tem mais gente deixando tudo para trás e vindo sem preparo e planejamento”.

A cabeleireira Suely Pereira, que tem um salão de beleza em Pompano Beach, disse que tem visto um número muito maior de pessoas procurando emprego ou tentando vender alguma coisa, como brigadeiro ou biquíni.

A mineira Ericka Melo, recém-formada em medicina na Bolívia, resolveu tentar a vida nos Estados Unidos em vez de retornar ao Brasil. Mas a sua ideia não é validar o diploma nos EUA, algo que parece complicado, disse. “As minhas irmãs trabalham com vendas na cidade de Mantena e estão indo muito mal. Todos que estão lá querem sair”, disse Ericka, que chegou no sábado, dia 26, e está morando com uma amiga em Deerfield Beach. “Estou disposta a trabalhar em qualquer coisa que der e estou procurando”.
Daniela Souza está na mesma situação. Chegou de Maringá no dia 13 de fevereiro, acompanhada de seu marido e o filho. “A nossa perspectiva é viver aqui”, disse ela, que já conseguiu trabalho na área de limpeza e o esposo está trabalhando com instalação com piso. Eles estão vivendo na casa de uma amiga, em Palm City. “Estávamos empregados na área de vendas, mas o setor caiu muito”.

A advogada Renata diz que muitos brasileiros que estão chegando acreditam que ‘darão um jeito’ de se legalizar. “Mas, diria que 70% das pessoas que têm me procurado não têm chances de se legalizar no país”, estima.

“As pessoas ficam iludidas pelas que estão aqui, que dizem que está tudo bem. Claro, está melhor que no Brasil, mas não está tão bem assim”.

Desde 2014, com a crise no Brasil, 100 mil brasileiros se mudaram para a Flórida e hoje o estado conta com mais de 350 mil dos que vivem de maneira legal, de acordo com matéria publicada pela Folha de São Paulo, citando o Consulado de Miami.

Preparo

Ao contrário dos casos mais comuns citados acima, a empresária e master coach, Marina Muhs, e sua família se prepararam por dois anos para virem viver em Boca Raton e deixar Vila Velha, no Espírito Santo, em outubro do ano passado.

“A crise foi um dos fatores, mas consideramos outras questões como segurança, viver em outra cultura, aprender inglês”, explicou ela, que veio com o visto de investidor europeu, E2. “Viemos com o dólar mais alto do que nunca. Quando começamos o projeto, o dólar estava em torno de R$2 e viemos para cá com o dólar a R$4,05. Imagine o que isso não significou de perda? Mas, enfim, não dava para voltar atrás”.

Para Marina, a profissão de coach ajudou bastante para sair da zona de conforto. “Tínhamos uma vida estruturada e confortável no Brasil e tínhamos bastante a perder caso nosso projeto não desse certo”, disse ela.

“Mas os nossos medos não podem parar nossos sonhos”.

Orientação

Em relação ao plano de negócios de brasileiros vindo para os EUA, Marcelo Mello, coach pessoal, empresarial e consultor de negócios, alerta que muitos que chegam à Flórida querem aproveitar o mercado brasileiro na região.

“Isso é peculiar do brasileiro: ele gosta do afeto, apego e sempre busca estar mais próximo de seus conterrâneos. Mas essa visão não é boa do ponto de vista dos negócios”, disse ele.
“Se analisarmos os empresários que dão certo ao chegar do Brasil aos EUA, são aqueles que focam no mercado americano”.

“Sempre digo que a pessoa deve tirar os óculos brasileiros ao sair do aeroporto e colocar o americano”, disse Marcelo, ao explicar que para prosperar nos EUA é preciso fazer como os americanos: entender a política de preços, honrar a política de troca, os contratos, etc. “Esse é o primeiro passo”.

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