Cresci ouvindo histórias, criei meus filhos contando histórias…

Cresci ouvindo histórias, criei meus filhos contando histórias…

Meu pai contava histórias para os filhos. Qualquer notícia do jornal virava uma história. Ele tinha o dom de inventá-las, ou contar as clássicas, de um jeito diferente. Cresci assim.
Quando meu primeiro filho nasceu, eu cantava… Cantava todas as músicas infantis que eu podia lembrar… Cantar para ele era um ritual na hora de dormir. Quando meu segundo filho nasceu, o primeiro já estava com dois anos e trazia livrinhos da escola, e eu comecei a lê-los na hora de dormir. O ritual foi estabelecido. Hora do banho, jantar, escovar os dentes, ir pra cama, ler uma história, beijá-los e sair do quarto… Assim eles dormiam…

Esse ritual era um momento de paz, intimidade, silêncio e atenção. Com o tempo percebi que nós três esperávamos por isso. Descobri também que eu era uma excelente contadora de histórias. Comprava muitos livros e fazia assinaturas de Revistas da turma da Mônica, então tínhamos muitas estórias para ler, mas comecei também a inventar histórias.. Criava estórias com dois personagens, que eram irmãos, e pareciam com os meus filhos. Esses irmãos das minhas histórias viajavam, conheciam outros países, outras culturas, ajudavam pessoas que estavam em perigo, ajudavam um ao outro, se machucavam, mas não desistiam… viviam aventuras e mais aventuras… Eu me divertia, eles amavam.

De vez em quando eu me via em apuros, por que eles queriam que eu contasse outra vez uma estória já contada, e eu não lembrava os detalhes, mas eles sim. Eles me corrigiam quando eu errava um detalhe… Era engraçado perceber que eles haviam registrado nas suas mentes aquelas estórias… Ficavam aborrecidos comigo quando eu não lembrava, mas eu dizia que naquela noite podíamos fazer diferente, que eles iriam me contar a história… E eles me contavam…

Percebi com o tempo que eles começavam a ler algo sozinhos, quando me esperavam no quarto. Eles haviam se tornado leitores, e dos bons… Gostavam de ler… Conseguiam sentir a aventura nos livros e amavam isso.
Os anos foram passando e eu já não lia para eles, eles eram pré-adolescentes, dormiam em quartos separados, mas eram leitores… Cada um sempre estava com um livro sendo lido.

Bom, sou psicóloga, e amei ser mãe. Como psicóloga, eu sabia que eu estava intencionalmente desenvolvendo o hábito da leitura, mas acima disso, eu imaginava que meus filhos pudessem ser pessoas criativas, que refletissem sobre valores humanos, sobre sentimentos, sobre ética; eu queria que meus filhos pudessem sonhar e acreditar em seus sonhos, e eu realmente acreditava que as histórias iriam ajudá-los nisso. Queria que se tornassem adultos bons, éticos, cultos e acreditando em si mesmos e na humanidade. Consegui.

Tenho vivido há alguns anos fora do Brasil, e visto alguma dificuldade dos pais brasileiros em manter suas crianças falando português além do ambiente familiar, ainda mais quando apenas um dos pais é brasileiro. A escola, e todos os amiguinhos falando Inglês, as brincadeiras em inglês, tornaram o português naturalmente na segunda língua para eles que nasceram e estão se criando aqui. Nada de errado com isso, afinal eles vivem aqui.

Mas porque perder algo tão precioso? Sabemos que registramos na nossa memória, com mais facilidade aquilo que tem significado e emoção, então porque não pensar na “contação de histórias” como um caminho para a construção de um ritual de intimidade, de quietude, e de aprendizado sem lição? Aprender com histórias é possível, e lhes garanto que é extremamente divertido e inesquecível.

Ludmila Rohr
Psicóloga, Analista Bioenergética, consultório online. Autora do blog (www.mulheremcrescimento.blogspot.com ). Mãe, e em breve, vovó. 

Contato: rohr_ludmila@hotmail.com

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