Cores geniais através dos pincéis de Renê Nascimento

O artista plástico mineiro Renê Nascimento é autêntico e genial.
Não são palavras minhas.
Conta, com entusiasmo, a Deputada Federal Maria Elvira Sales Ferreira, que quando Renê veio trabalhar em seu gabinete, na plenitude da adolescência, ali teve a chance de ter os primeiros pincéis e as primeiras telas.

Naquela oportunidade, ela conseguiu ver algo de especial em tudo que ele fazia na inquietude da vida, como seu office boy. Ousado e corajoso, Renê pediu para retratá-la em de seus momentos mais especiais.

Acostumada a conviver com grandes nomes da arte por ser ela colecionadora, Maria Elvira incentivou aquele talento que se apresentava em busca de oportunidade. Ela acreditou em seu talento e topou o desafio.

Foto: Darryl Crichlow
Foto: Darryl Crichlow

“Comecei a trabalhar aos 14 anos de idade no Colégio Anchieta/Newton Paiva, à época, um universo de arte e cultura”, conta Renê. O trabalho era para pagar a escola e ajudar no sustento da família, segundo ele.
Mas a arte estava no sangue do artista que nascia.

Nos intervalos entre trabalho e escola, ele escapava e ia visitar as galerias de arte AMI, Guignard e Palácio dos Leilões, uma paixão que embalava o seu sonho de se tornar um artista.

Os passos seguintes foram como desenhista em alguns projetos de decoração, festas, no setor têxtil, design e em retratos.
Renê Nascimento que é graduado pela Escola de Belas Artes da UFMG, e em pouco tempo já estava expondo em galerias do exigente mercado mineiro das artes.

Como todo começo se conta com apoios e incentivos, ele faz questão de citar nomes de pessoas que foram fundamentais no seu começo. Esclarece que a lista é imensa, mas como ele mesmo disse, não se poderia esquecer de mencionar Eduardo Couri, Kátia Lage, Zé Vicente, Rosalina Fonseca, Edimar Araújo, Yara Tupinambá, Álvaro Apocalypse, Rogério Santiago e a saudosa Maristela Tristão, entre uma centena deles.

Nova York aconteceu por acaso em sua vida. Conta ele que foi conhecer Nova York a convite do curador Orlando da Rocha Matos, que agitava a arte brasileira na Big Apple. Orlando o convidou para fazer parte de um projeto em andamento. Este, na certa, foi o apoio inicial e principal que lhe abriu as portas. O curador Matos tinha conseguido chegar às disputadas galerias de arte da ONU e precisava levar talentos que valessem a pena. De peito aberto, apostou no artista mineiro, seu carro chefe.

Faz questão de mencionar o reencontro que teve com Maria Elvira, sua incentivadora que veio acontecer quando a vida de ambos se cruzou de novo cerca de 15 anos depois em Nova York, quando Renê já tinha alcançado voos absolutos e significativos, buscando espaços no maior mercado de arte do mundo. O menino que ganhou dela pincéis, tela e incentivo, através da feitura de um retrato, iniciado num gesto gentil da deputada Maria Elvira, acabou encaminhando-lhe para grandes conquistas.

Antes de tudo ele já tinha se destacado na feitura de uma série de painéis com temas brasileiros, que encantavam restaurantes brasileiros pelo mundo afora, e que acabou virando moda, fato que fazia uma enorme diferença.

Foto: Sam Polcer
Foto: Sam Polcer

E não só isto, Renê não parou por aí.
Pintava retratos de pessoas normais e famosas.

Quer saber mais sobre o artista?

Visite a Biblioteca Brasileira de Nova York, na Rua 52. Lá estão rostos de alguns imortais da Academia Brasileira de Letras, retratados por ele e que por já ali passaram.
Diga-se de passagem, toda esta façanha feita ao longo de apenas 14 anos de América.

Sucesso? Uma receita básica e prática que ele teve de incorporar no seu dia-a-dia. Dedicação, disciplina, honestidade e respeito ao próximo, além de uma dosagem de sorte.

Resumindo em poucas palavras: Renê Nascimento é um artista que se diferencia de muitos artistas brasileiros que procuram morder a maçã (expressão de sucesso em New York), por tudo dito acima.

Sem critérios, sem trejeitos na vida pessoal, é artista de olhar contemplativo para os detalhes urbanos. Observador de mínimos detalhes, de sons da cidade, que a tornam genial, indescritível, além de cuidadoso, sensível com seu trabalho e sua arte.

Teve a sorte de ter ao seu lado um escudeiro, Darryl Crichlow, seu parceiro, seu anjo da guarda, que lhe mostra com segurança os caminhos, apontando a bússola do sucesso, e fazendo tudo aquilo que precisa ser feito para dar certo.

Já participou de várias mostras em Nova York, e foi vencedor como “Artista Ano” no prestigioso Brazilian Press Award 2009, na Flórida.

Nesta entrevista, fala de sua mais recente exposição onde recebeu elogios de críticos especializados e que poderá ser vista pelo mundo afora.
Só depende dele.

Bate Pronto

Brasilianas Por que temas urbanos de Nova York?
Renê – Quando aportei em NY, meus traços e minha pintura eram “bem mineiros” nas cores e nos temas. Naturezas mortas, bicicletas e crianças. Numa cidade como NY, e como artista, é impossível não ser influenciado pela exuberância do cenário que nos cerca. Ainda hoje ando pelas ruas bebendo cada detalhe dessa arquitetura, destes detalhes cosmopolitas.

Brasilianas – Por que as bicicletas?
Renê – Já venho pintando as bicicletas por muitos anos. A bicicleta se incorporou a este cenário, quase como um complemento de meu trabalho. Sempre gostei da forma geométrica da bicicleta, como se fosse uma escultura. A princípio pintava crianças e bicicletas. Já tive outros ícones como temas: gaiolas, Adão e Eva, e mais recentemente, Frida Kahlo.
Brasilianas – Alguma paixão nisto tudo?
Renê – Acredito que sim, e esta paixão tomou corpo quando estive em Amsterdam e me deparei com aquele mundo de bicicletas estacionadas na beira dos canais. Ali pintei as primeiras aquarelas de bicicletas no contexto urbano. As ideias foram tomando dimensão e fui convidado para participar de eventos relacionados a este esporte. Tornei-me um incentivador do ciclismo pelo grande impacto positivo que exerce na saúde e no meio ambiente. O ciclismo cresceu nas metrópoles e o mundo aderiu à ideia de pedalar. A paixão se tornou uma mania mundial e logicamente as minhas telas atingem no contexto dessa ideia.
Brasilianas – Você foca sempre aspectos urbanos noturnos. A cidade a noite é melhor quando adormece?
Renê – Retrato o cenário urbano independente do horário ou estação do ano, mas os reflexos das luzes nas noites de chuva são especiais para mim. Acho poético e gosto do lusco fusco, da neblina, do reflexo dos faróis dos automóveis. O gigantismo arquitetônico das cidades cria um mistério especial.
Brasilianas – Em seus quadros não existe confrontos de pessoas. Por quê? Você sente a solidão da cidade?
Renê – A princípio pintei a bicicleta como uma entidade, soberana… A cidade como pano de fundo. New York e uma cidade onde as pessoas são bastante solitárias, mesmo no meio da multidão. As pessoas de todo mundo se adaptam porque se sentem livres e respeitadas, o que é uma verdade, mas por outro lado, cada um vive no seu próprio mundo numa batalha pela sobrevivência que não e fácil. Estou incorporando o elemento humano nas minhas telas, principalmente na confusão urbana noturna. Cada sombra carrega um mistério. Quem é esta pessoa, para onde vai? Quais são os seus sonhos? São estas indagações constantes destas almas solitárias. Procuro incorporar textos, cartazes e grafites que traduzem um pouco desta realidade, através de mensagens. A que o elemento humano vai se tornar, o tema principal do meu próximo trabalho, mas ainda não sei como, estou deixando acontecer.
Brasilianas – O que Nova York representa para você? Você tem recebido convites para retratar este aspecto cosmopolita de outras cidades. Qual a cidade que você mais gostaria de retratar em seus quadros, além de Nova York?
Renê – Participei recentemente de um projeto chamado “Bikes of the world”, criado por David Borish, onde pessoas de várias partes do mundo me enviaram fotos de bicicletas nas suas respectivas cidades. Recebi fotos do Japão a Escandinávia. Assim, quero viajar pelo mundo e retratar isto pessoalmente. Também em minha ida ao Brasil, tivemos um encontro com a Maria Elvira Sales Ferreira, Leônidas Oliveira, da Fundação Municipal de Cultura de BH, e Carolina Andreazzi, do Museu de Arte da Pampulha. Ali nasceu a ideia de criarmos uma exposição: “Bicicletas de BHte & Nova York”. Por enquanto, a ideia continua como um projeto, não tem uma data para acontecer. Estamos buscando apoiadores do projeto.

Raio X do Artista

Um pintor: Leonardo da Vinci (não só como pintor, mas um dos homens mais inteligentes e geniais da nossa história)
Um nome: São muitos, mas no momento… “Malala”
Uma pessoa: Minha mãe
Uma cidade: Nova York
Um gesto gentil: Um sorriso sempre
Um paraíso: Lugar onde haja paz
Uma cor: Azul
Uma experiência: O amor
Uma observação: Respeito é a chave do mundo
Um conselho: Se fosse bom não se dava, vendia…
Enfim… O que eu faria diferente…? Gostaria de aprender a dizer não…

 

 

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